quinta-feira, 25 de março de 2010

comodismo.


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.




(Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia).

terça-feira, 16 de março de 2010

long day.

Runnin' down my batt - er- ies
Layin' me out to rest
Knowin' when that is
Five hours
I wake up and de-stress
And I'm diggin' myself into a hole
And these days I just work
I will when I have so much sun
And lately I've forgotten who I am
Late - ely my energy's just drained away
And now..my mind..is workin' overtime
It's been a loooong day
Such a long day, and while all my contempt
For every…(all my friends say)
I should take in college now
My education is dragging,
My guitar to London town
And the thing that wakes me
when I could sleep instead
Is the thought that to deny?
That I could fall back into bed
And lately, I 've forgotten who I am
Late - ely, my energy's just drained away
And now…my mind….is workin' overtime
It's been a long day
Recently my head
It ain't recharged as such
And sleep can only cure, yeah
A restless mind so much
Lately I've forgotten who I am
Sleep too late
My energy's just drained away
And now my mind is workin' overtime
It's been a long day

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Hipnotizada.




Caio ao som do meu coração batendo conforme sua batida.
Melancólico e fresco,do tipo doce amargo.
Amor no repete.
Eu estou ecoando todas as minhas filosofias.*

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Inscrição para uma lareira




'A vida é um incêndio: nela
dançamos,salamandras mágicas.
Que importar restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...'

Mário Quintana.

Caminhos de Carla - Neir Ilelis*


"Com a cabeça recolhida na mochila ouvia passos.Eram os demônios que povoavam minha cabeça.Para fugir deles,pensei em pessoas bonitas,músicas alegres,sorrisos falsos de gente triste que caminhava pela Rua do Meio.Então fiquei pensando na minha primeira visão da cidade cercada por água.Mas isso não durou muito.Fui vencida.Logo os diabinhos ,três ao todo,tomaram conta dos meus sonhos.Eles me pegavam,judiavam de mim.E eu queria acordar e não podia.Queria correr,estava presa em cordas.Eles,todos de negro,rostos cobertos,riam de mim..."

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

2010 e um bom começo. ;D




Medos e inseguranças parecem estar de férias por uns tempos,nada está sendo tão bom quanto essa primeira quinzena do ano.Parece tudo certo,tudo no lugar,nada desorganizado ou fora dos planos,embora eu esteja provando da minha impulsividade e confesso,ela funciona muito melhor do que aquele meu lado pensativo, questionador e inseguro.Provei do melhor e mais gostoso impulso dos meus dezesseis anos,e não me trouxe nenhuma péssima conseqüência,apesar de saber que esse impulso poderia ir muito além. Provei e estou provando de um delicioso sentimento,tentador,provocante,novo e bem calmo,e pretendo mantê-lo por muitos anos.E descobri o quanto cresço,a cada dia que passa.Consigo enfrentar meus problemas de uma forma mais pacífica comigo mesma,não volto atrás nas minhas decisões e não penso o quanto poderia ser bom ou ruim a outra solução,o outro caminho.Consigo ver por vários ângulos algo que me aborreceu por alguns minutos,aprendi o quanto é solucionador o ato de conversar,trocar idéia.E o principal de tudo isso,o quanto é bom se sentir segura.Sem indecisões ou queima de neurônios em demasia.Curto o momento,vejo as coisas acontecerem de primeira,sem ter que errar para aprender.Isso é bem legal,reconhecer seu crescimento,mesmo que seja pessoal.Aliás,principalmente se for o crescimento pessoal.Esse é o melhor e mais interessante dos crescimentos .Não que o meu pessoal esteja cem por cento,mas é bom saber que o crescimento é lento,mas que você não está parado.Essa vai ser minha promessa para 2010,além de me permitir sentir,vou procurar CRESCER.That's what life and love is all about.

:)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Contagem regressiva e MEDO*

Faltam 21 dias para o fim do ano,e como sempre,sinto um misto de agonia e paz.Paz porque superei problemas que aconteceram no começo do ano,e consegui chegar viva ao final deles e do ano.Paz porque tenho coisas que conquistei com dificuldade.Paz porque tenho amigos que me ajudaram e permaneceram do meu lado o ano todo.Mas,na contra- mão,sinto agonia porque alguns desses amigos se vão mantendo o típico movimento que a vida tem de leva-e-traz. Agonia porque muita coisa sempre muda quando algo novo começa,e sempre rola aquele sentimento de perda e medo,porque coisas e pessoas fazem falta.Medo porque tenho certeza dos problemas que vou ter que enfrentar,mas tenho a incerteza de em quem vou poder me apoiar.
Medo porque pensamentos,pessoas,sentimentos,atitudes e comportamento mudam...E me levam ao um nível que eu nunca estive antes,o que me deixa perdida,com um vazio enorme no peito por não saber o que fazer,falar e sentir.Mas esse é o incrível da vida: Ter a chance de se superar,apesar de tudo e todos parecem contra você,embora não estejam.
E eu agradeço por ter tido um ano tão bom,respectivamente calmo,com um amadurecimento reconhecido e com tantas surpresas gostosas. A vida foi bondosa,e que ela continue sendo.

E para completar o post,uma poesia de Carlos Drummond de Andrade:

(...) 'Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente'

QUE VENHA 2010,apesar do meu medo de TUDO dar errado.*